Recordo o dia em que fui tocado por uma sensação única e como um raio fulminante senti o abrir de um novo livro. Um conto por explorar, um conto por escrever, um livro de belas páginas brancas, imaculadas e ainda por violar.
O livro era sagrado, livro divino, mais uma Deusa estaria por se criar. Com o passar do tempo a Deusa ganha forma, esboça as suas primeiras vontades, até que um dia se escrevem as primeiras linhas da sua história.
A mão, que era a mão direita, inicia e acompanha o desenhar das primeiras letras, parte com movimentos convictos, demasiado convictos e escreve. Pena bem segura e a escrita dura, carregada, sempre forçada.
A mão esquerda, vem depois, é mais descomprometido, não tem tanto jeito para desenhar letras e escreve apenas livremente, sem pressões, sem imposições. Acima de tudo sem grandes convicções e por isso abre enorme espaço à liberdade.
A outra mão, agora, a direita, sempre vai escrevendo, quase que compulsivamente até à exaustão. Um dia porém, cansada largará a história, esquecerá o livro ou precipitadamente tenta-lhe dar um fim, com intermináveis folhas em branco.
A livre e mal jeitosa mão esquerda, contemplando vai escrevendo e escreverá sempre, sem cansaço, sem jeito e sempre sem convicção. Escreverá apenas, sem nunca parar, lenta e livremente.
Assim talvez pudéssemos encarar a Criação dos Deuses, pequenas criaturas lindas e endiabradas, que se cruzam connosco todos os dias; - Como a mão esquerda
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
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