quinta-feira, 30 de julho de 2009

Este Pais por Miguel de Sousa Tavares




Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:

- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.

- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.

- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.

- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...

Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.

- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...

- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!

- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.

Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira,
que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.

- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.

- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.

- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.

- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.

Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.

- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...

- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.

Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.

- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.

- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?

- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.

Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.

Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta autoestrada sem ninguém!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Jardins do Palácio de Cristal

Em 1951 foi demolido o verdadeiro Palácio de Cristal que havia sido inaugurado em 1865.
O edifício havia sido concebido para receber a Exposição Internacional do Porto.
Em 1951 a pretexto de um Campeonato do Mundo de Hoquei Patins foi demolido o Palácio para dar lugar ao Pavilhão de Desportos, agora conhecido como Pavilhão Rosa Mota. Assim morria o verdadeiro Palácio de Cristal aos 86 anos.



Não bastasse essa enorme perda para os Jardins do Palácio e para a Cidade do Porto volvidos 57 anos querem uma vez mais atentar contra este espaço.
A intervenção que se pretende fazer implica a destruição do fantástico lago que fica por trás do Pavilhão.

Exactamente neste local querem construir um novo equipamento que será um Centro de Congressos. Como se não houvessem espaços para isso, os Auditórios da cidade, a Exponor, a Alfandega, etc... O lago não ficará simplesmente vazio como na foto. O lago simplesmente desaparecerá.




E o resultado será este



Em nome do progresso, contra a vontade do Povo, será que daqui a 30 anos também vão querer substituir os Jardins por mais algum equipamento? Que tal um condomínio fechado? Se for para isso é melhor arrasar já os Jardins, pelo menos assim acaba-se a esperança.
Realmente tudo acaba nesta cidade. A única coisa que parece não acabar é o Rui Rio, que já poderá ser chamado de, Homicida Invicto da Cidade do Porto.

Disse Alberto Caeiro - (Fernando Pessoa)

O amor é uma companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O Sonho mais desejado

O Sonho mais desejado será aquele que passou de realidade a Sonho. Será aquilo que se alcançou e se perdeu. Esse será talvez o Sonho mais difícil de concretizar.

L'Herbe Folle

Depois de uma primeira passagem por Portugal em 2008, L'Herbe Folle estiveram uma vez mais no Porto, (a segunda vez este ano).
O Clube de Fãs é indiscutivelmente cada vez maior e raramente se vê na Cidade Invicta o publico se render tão rapidamente.
O segredo talvez esteja na generosidade e simpatia transmitida em palco pela música e pelos músicos. Os seus espectáculos são uma sucessão de carinhos, comédia, brincadeiras e teatralidade. Enfim, uma banda a ouvir, mas principalmente a ver.

Ontem foi no Porto e hoje estarão em Lisboa no Music Box. Quem puder que aproveite, o Bilhete de € 6,00 será bem empregue. Ainda esta semana os L'Herbe Folle tocam no Festival Praia de Santa Cruz em Torres Vedras.

Por cá, pelo Porto, certamente os teremos outra vez. Nós todos assim esperamos.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

terça-feira, 14 de julho de 2009

Até Quando?

Nem sempre as coisas são como gostaríamos que elas fossem. Por vezes surgem imprevistos, condicionantes imprevisíveis, mas...aceitando que a vida é uma carreiro de cabras onde a qualquer momento podemos ser surpreendidos, nada do que afirmo nestas linhas poderá ser criticável. É simplesmente assim, a vida é também por isso fascinante.

Somos educados ou treinados para executar muito e pensar pouco, somos instruídos para seguir as regras e agir como a formiga. No nosso caso em sociedades cada vez mais complexas e globalizadas. Para isso criamos regulamentos e leis, para que o sistema possa ser gerido e promovido.

A mensagem politica é, vamos fazer mais e melhor, motiva-se e incentiva-se, mas na verdade os que tão bem foram treinados para executar, são muito maus a pensar...pena que lixem a vida de quem pensa e pretende implementar novas ideias.
Reparem, que aqueles que apenas executam, nada podem criar...para criar é necessário, sonhar, pensar, projectar e sim....no final executar.
Mas não apenas executar!!

Os executantes são meros religiosos que seguem, cegamente, as suas bíblias. São os economistas, os engenheiros, os médicos, etc... Poderíamos pensar que somos limitados, que não falta de alternativa não temos outra opção. Mas não.
As alternativas existem, algumas delas bem comprovadas, mas nada muda. Porquê?

A conclusão é simples, quem se senta nas cadeiras de poder, continua a fazer uma avaliação positiva. Os proveitos ainda compensam. Apesar da crise, o Povo ainda tem os carros e ainda muita gente vai de férias. Por isso, não há seguramente mal em expremer mais um bocadinho o Povo.

Talvez , brevemente o Povo tire de vez a cadeira a esses senhores. Porque BASTA!!!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Marcha LGBT Porto

PANDEMIA DO LUCRO

Recebi este texto no meu mail e decidi partilha-lo.


Que interesses económicos se movem por detrás da gripe porcina???
No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária que se podia prevenir com um simples mosquiteiro.
Os noticiários, disto nada falam!

No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarreia que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 centimos.
Os noticiários disto nada falam!

Sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas, provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.
Os noticiários disto nada falam!

Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves...os noticiários mundiais inundaram-se de noticias...
Uma epidemia, a mais perigosa de todas...Uma Pandemia! Só se falava da terrífica enfermidade das aves.
Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos...25 mortos por ano.

A gripe comum, mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25.

Um momento, um momento. Então, porque se armou tanto escândalo com a gripe das aves?

Porque atrás desses frangos havia um "galo", um galo de crista grande.

A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflú vendeu milhões
de doses aos países asiáticos.
Ainda que o Tamiflú seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população.
Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de lucro.

-Antes com os frangos e agora com os porcos.
-Sim, agora começou a psicose da gripe porcina. E todos os noticiários do mundo só falam disso...
-Já não se fala da crise económica nem dos torturados em Guantánamo...
-Só a gripe porcina, a gripe dos porcos...

-E eu pergunto-me: se atrás dos frangos havia um "galo"... ¿ atrás dos porcos... não haverá um "grande porco"?

A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflú. O principal accionista desta empresa é nada menos que um personagem sinistro, Donald Rumsfeld, secretario da defesa de George Bush, artífice da guerra contra Iraque...
Os accionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso Tamiflú.
A verdadeira pandemia é de lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde.
Não nego as necessárias medidas de precaução que estão a ser tomadas pelos países.

Mas se a gripe porcina é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação.
Se a Organização Mundial de Saúde se preocupa tanto com esta enfermidade, porque não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la?

Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos gratuitos a todos os países, especialmente os pobres. Essa seria a melhor solução.

PASSEM ESTA MENSAGEM POR TODOS LADOS, COMO SE TRATASSE DE UMA VACINA, PARA QUE TODOS CONHEÇAM A REALIDADE DESTA "PANDEMIA".

quarta-feira, 1 de julho de 2009