terça-feira, 30 de junho de 2009

Chico Buarque - João e Maria

Chico Buarque, um dos mais encantadores músicos brasileiros. Esta musica em particular, com a coisa de enfrentar os Alemães, contra os canhões, o ser feliz, mais a princesa que eu queria coroar.

Está muito bem, mesmo!!
Ouçam e deliciem-se.



Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Caminho de Santiago

Há muitos anos que penso em fazer um dos caminhos de Santiago. O planeamento da viagem já começou, mas falta o mais importante. Um companheiro(a) de viagem.
Penso fazer o caminho primitivo que começa em Oviedo e acaba em Santiago de Compostela. Neste caminho encontram-se paisagens e trilhos dignos que qualquer livro do Asterix e Obelix.

A ver vamos se há quem apareça com força nas pernas para me acompanhar.
Se não terei de pensar em adiar a viagem, ou então faze-lo sozinho.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson

Quem se encontra na casa dos 30 como eu, certamente se recorda quando Michael Jackson fazia furor como os seus vídeos e passos de dança. Sem dúvida um artista da cena musical que marca uma era.
Hoje, independentemente da controvérsia, estética musical e gostos pessoais, creio que não passará ao lado de ninguém a morte de Michael Jackson.

Recordo-me também de alguns momentos únicos na cena musical. Lembro-me de "We are the World", "Heal the World" e "Earth Song" por exemplo.

As opiniões sobre Michael Jackson poderão ser diversas, mas nunca ninguém ficará indiferente à sua história.

Fica aqui "Heal the World"



Encontrei uma musica mais que não poderia deixar de publicar tendo em conta as imagens do vídeo. Tudo continua na mesma!!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Pico do Verão

Nesta altura do ano os dias são longos. O S. João serve de certo modo para celebrar este pico de luz e ontem ao passar pelo Porto constatei uma vez mais que o Porto vive, que não está fusco. Ontem houve muita luz.

Tudo começou num terraço fabuloso na Rua Conde da Terceira de onde saiu um grupo animado que fazia questão de distribuir boa disposição pelas ruas que passava. Pouco a pouco lá fomos descendo, sempre com o destino Miragaia. Uns chegaram bem cedo, outros nem por isso...mas todos chegaram.
No meio do trajecto ficou uma passagem pelo Guindalense, o melhor local da noite. Não conhecia aquele pitoresco lugar, mas pelos vistos já é lugar com tradição. Bailarico havia com fartura, Miradouro privilegiado para o Douro e Ponte de D. Luis.

Na Ribeira apenas de passagem, porque em Miragaia havia eu de dar um pezinho de dança. Assim foi, encontrando um mar de gente, encontrando muita gente, espontâneamente...e como sempre aqueles que até se procurava encontrar são sempre aqueles de quem nos perdemos nestas ocasiões.
O S. João é isso mesmo, um caminho errante, onde nos perdemos, encontramos, procuramos e nos reencontramos uma vez mais.

terça-feira, 23 de junho de 2009

S. João

É da tradição de S. João uma quadra a rimar
este ano é só a crise a chatear
mas hoje no Porto não haverá juízo
teremos apenas martelos, copos e riso

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Betty Davies - Anti Love Song



No I don't want to love you
cause I know how you are
thats why I have been staying away from you
thats why I haven't called ya
cause I know you could possess my body
I know you can make me scrawl
I know you can have me shaking
I know you could have me climbing the walls
thats why I don't want to love you
cause I know how you are
sure you say your right on and your righteous
but with me I know you'd be right off
you know I could possess your body too?
Dont cha?
You know I could make you crawl
and just as hard as I fall for you
boy
well you know you'd fall for me harder
thats why I dont want to love you
cause I know what you do to my heart
you'd scorch it just like hot iron
wow
leave me burning alone in the dark
cause I know you could make me suffer
I know you could drive me mad
I know you just take me in a circle
when it got real
I know you'd disappear
thats why I AIN'T gonna love you
cause I know you like to be in charge
well with me
you know you couldn't control me
dontcha?
Cause you know i'd make you drop your guard
i'd have you eaten your ego
i'd make you pocket your pride
just as hard as I'd be loving you
you know you'd be loving me harder
thats why I dont want to love you.
I said
I dont want to love you
na na na na
I said
I aint gonna
na na na na
I said
I dont wanna
na na na na na
I know what you'd do to me

Ver-te

Ocupa o espaço que te ofereço
Liberto espaço
Posso ainda mais,

Sinto, penso, vejo
Sinais duvidosos
(ou)
Será medo?
De quem!

E cresce uma imensa vontade de abrir a cortina e
Ver-te

domingo, 21 de junho de 2009

De manhã até de madrugada

Canta Sérgio Godinho, "há dias de manhã em que um homem à tarde não pode sair à noite nem voltar de madrugada".

Até hoje não havia prestado muita atenção à frase, mas de facto todas as coisas têm o seu tempo próprio.
Talvez a frase contenha uma explicação sobre o dia passado, ou talvez o tempo dirá se meus desconexos pensamentos terão algum fundamento.

Resta-me saber o que se passou ou se passa.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Nick Drake

Em meados dos anos 90, fui introduzido à música de Nick Drake. Desde então Nick Drake é um dos meus compositores favoritos. Um verdadeiro artista da guitarra, belíssimas canções, mas também muito bons textos.

Quem ouve Nick Drake, sente-se quase obrigado a partilhar a sua música. Na verdade Nick Drake, com a sua curta carreira nunca foi um músico famoso. Conhecido por muito poucos, é de salientar o crescente interesse em Drake, desde há uns 15 anos para cá. Não admira!!

Deixo duas músicas.
Mas vale apenas ouvir todos os álbuns, são só três os que Nick Drake deixou numa carreira de apenas 5 anos. Espantoso o facto de Nick Drake ter intitulado o seu primeiro álbum "Five Leaves Left



Aqui a letra

Cello Song

Strange face
With your eyes
So pale and sincere
Underneath you know well
You have nothing to fear
For the dreams that came
To you when so young
Told of a life
Where spring is sprung

You would seem so frail
In the cold of the night
When the armies of emotion
Go out to fight
But while the earth
Sinks to it’s grave
You sail to the sky
On the crest of a wave

So forget this cruel world
Where I belong
I’ll just sit and wait
And sing my song
And if one day you should see me in the crowd
Lend a hand and lift me
To your place in the cloud



Aqui a letra

Northern sky

I never felt magic crazy as this
I never saw moons knew the meaning of the sea
I never held emotion in the palm of my hand
Or felt sweet breezes in the top of a tree
But now you're here
Brighten my northern sky.

I've been a long time that I'm waiting
Been a long that I'm blown
I've been a long time that I've wandered
Through the people I have known
Oh, if you would and you could
Straighten my new mind's eye.

Would you love me for my money
Would you love me for my head
Would you love me through the winter
Would you love me 'til I'm dead
Oh, if you would and you could
Come blow your horn on high.

I never felt magic crazy as this
I never saw moons knew the meaning of the sea
I never held emotion in the palm of my hand
Or felt sweet breezes in the top of a tree
But now you're here
Brighten my northern sky.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Disse Bocage

SONHO

De suspirar em vão já fatigado,
Dando trégua a meus males, eu dormia;
Eis que junto de mim sonhei que via
Da Morte o gesto lívido e mirrado.

Curva fouce no punho descamado
Sustentava a cruel, e me dizia:
- «Eu venho terminar tua agonia;
Morre, não penes mais, oh desgraçado!»

Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada,
Que armado de cruentos passadores
Aparece e lhe diz com voz irada:

Emprega noutro objecto os teus rigores,
Que esta vida infeliz está guardada
Para vitima só de meus furores.

John Lennon - Love

sábado, 13 de junho de 2009

Disse Fernando Pessoa

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Flight of the Conchords - If you're it to it

Hoje foi-me apresentado pela primeira vez uma Comédia chamada Flight of the Conchords, que tem a particularidade de incluir as mais incríveis canções. Neste episódio talvez a mais honesta das declarações.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A fadazinha

Pelo Natal encontrei um livro da Editora Civilização com o nome da "Contos Que O Vento Soprou" - Texto de Teresa Saavedra

Entre os muitos contos maravilhosos que o livro trás, um deu-me um enorme prazer ler para a minha filha. Dou por isso, como bem empregue o tempo em o transcrever para aqui, esperando que possa aguçar o interesse dos leitores pelos outros contos do livro, também eles fantásticos.

O Conto que vos deixo chama-se:



A Fadazinha

Naquele dia, quando a fadazinha acordou, já o Sol ia alto. Sonhara toda a noite que alguém a levava à desfilada até um grande castelo no pico de uma montanha negra e que lá ficara durante tempos infindos, numa sala gelada e coberta por grandes panos escuros. Por isso, levantou-se, atordoada e estranha, apesar de, como sempre, se encontrar na sua cama de ervas, protegida pela sombra do velho carvalho que a conhecia desde que ela nascera. E, como era Primavera, uma camada de pequenas flores nascidas da erva rasteira durante a noite dava-lhe os bons dias, virando as minúsculas corolas para ela.

Nunca na sua vida sonhara e sempre fora uma fadazinha sem cuidados. Não possuia varinha de condão mas também nunca precisara dela. Como não conhecia as suas irmãs, nem sequer sabia que, para pôr em prática os seus desejos, era costume das fadas possuirem uma. Ela não sabia o que era desejar. Vivia em estado de permanente leveza. Na realidade, mesmo o próprio corpo, não tinha o minimo peso. Vestia uma túnica de renda tecida pelas aranhas e usava o cabelo enfeitado por escaravelhos minúsculos e cintilantes. E ao Sol, toda ela brilhava como um pequeno raio de luz. Durante os belos dias de Verão só brincava e voava. Ou deixava-se dançar, como uma folha de árvore embalada pelo vento. Quando vinha o frio do Inverno, abrigava-se numa toca de esquilo e dormia sem parar até que o calor voltasse. Por isso, apesar do estremeção da noite, nem se lembrou que sonhara e, durante todo o dia, voou pela floresta. Passou a manhã no riacho a dançar com as libelinhas, alimentou-se do mel das colmeias, dormiu a sesta num ninho de pássaros abandonado e, ao fim do dia, brincou na crista das montanhas, espreitando o Sol, que, vermelho de cansaço e de sono, se afundava devagarinho. Quando voltou para o velho carvalho já fazia escuro, e cabeceava. Adormeceu imediatamente, toda enroscada debaixo de uma camada de folhas.

Já era quase meio-dia quando abriu de novo os olhos. A primeira coisa que fez foi apalpá-los para se certificar de que estavam bem abertos e olhar atentamente as ervas e as sucessivas camadas de folhinhas novas nascidas durante a noite do velho carvalho. Tornara a sonhar, o mesmo sonho e tudo à sua volta lhe parecia agora estranho. Nada mudara; ela é que nunca reparara em nada. Via tudo como se fosse a primeira vez. Olhou as nuvens cinzentas que se aproximavam e espantou-se quando um doce chuveiro se derramou à sua volta. Pela primeira vez reparou que as folhas que a coriam eram diferentes umas das outras e que a água da chuva as tornava extraordinariamente verdes e brilhantes. Reparou na quantidade de ervinhas que atapetavam o chão, nas minúsculas flores azuis e amarelas que se abriam mesmo junto dela, nos bichinhos que circulavam com esforço por entre a água da chuva. Uma grande gota caiu-lhe em cima do vestido. Delicadamente, tocou-lhe. Não sentiu nada. Abriu a mão com a palma voltada para cima e nela recolheu um pouco de chuva. Mas tornou a não sentir nada.

Quando o Sol voltou de novo, chegaram três meninas que deram as mãos e rodopiaram à volta do carvalho até se cansarem. Depois sentaram-se no chão de pernas cruzadas, a arfar e a rir, o vestido enfolado entre as pernas peludas. Desembrulharam um papel e de lá de dentro sairam pão e bolachas. Depois de comerem esticaram-se na erva a olhar para o céu. Até que uma delas se levantou de um salto e disse:
-Vamos jogar ao Queima.
Com um pau, desenhou formas na terra.
-Queima? Queima? - gritavam as três dançando por entre os riscos.

A fadazinha, empoleirada no ramo mais alto do carvalho, vira tudo. E quando finalmente partiram, a correr e a rir, reparou que o chão ficara coberto de migalhinhas. Cheia de curiosidade, voou do ramo até ao chão e levou um grão de farinha à boca. E depois outro e outro. Mas não lhe soube a nada. Nem chegou sequer a sentir a textura rugosa dos pedacinhos de pão. De repente veio-lhe à ideia o ar contente das meninas e ficou espantada por não entender tamanha alegria. Tão espantada que decidiu procurá-las e tomou o caminho da aldeia mais próxima.

Encontrou uma jovem mãe que seguia na mesma direcção, como o seu menino muito aconchegado num xaile de lã. Enquanto andava, sorria, maravilhada, para o filho. A fadazinha pôs-se na sua frente, fazendo gestos. Mas a jovem mãe passou adiante, tapando a cara da criança por causa do importuno raio de luz. Ficou tão triste, a fadazinha, que só muito tarde reparou que um grupo de rapazes pedalava na sua direcção, a toda a velocidade das suas bicicletas. "Vou ficar onde estou", pensou. "Vão passar por cima de mim e por isso é impossivel que não me vejam!" Mas os rapazes repararam apenas num raio de luz a brincar nos espelhos das suas bicicletas.

Por fim, a fadazinha viu aproximarem-se três lavradores que chegavam do trabalho. Traziam o sacho ao ombro e tinham as mangas arregaçadas. Da sua testa pingavam gotas de suor, estavam mal barbeados e as suas botas deixavam um rasto de terra por onde passavam. Entraram em casa. Uma mulher chegou com uma travessa a fumegar, outra com jarros e copos. Sentaram-se todos à mesa, comeram com avidez. As suas vozes sonoras, as suas gargalhadas, ouviam-se do outro lado da rua.

Foi então que qualquer coisa de misteriosa estalou dentro da fadazinha. Sentiu um grande calor. Saltou para cima da mesa e pegou num copo cheio. Quis beber, quis entornar o copo, quis que o copo se estilhaçasse aos bocadinhos no chão. Mas nada aconteceu. Os lavradores continuaram a a beber e a conversar. Apenas um deles se levantou, foi espreitar o Sol e disse:
-De repente, tanta luz?
Nessa noite a fadazinha foi deitar-se desesperada. E acordou de madrugada, a chorar, sem se dar conta de que chorava.
-Afinal o que sou eu? - exclamava por entre soluços. - Uma sombra? Um sonho? Um espirito sem corpo? Donde venho? Onde começa a minha história?

De repente fizera-se uma noite muito escura dentro da sua cabeça. E do carvalho, olhava, desesperada, até onde a sua vista podia alcançar, tentando entender, tentando sentir. Olhava com atenção os montes, os vales, o rio, as aldeias aninhadas na neblina. E pensava que, dentro de cada casa, vivia gente que, naquele momento, acordava. A seguir iriam sentar-se juntos para beber grandes canecas de leite, mastigar pão. Depois os homens iriam para o trabalho enquanto as crianças ajudariam as mães a tratar da casa, antes de irem para a escola. Talvez tivessem um gato. Como ela gostaria de ter um gato para poder tratar dele! Como ela gostaria que lhe dissessem adeus antes de partir para a escola! Sentar-se a uma mesa, comer e beber, escrever num caderno, fazer um desenho, andar de bicicleta!

E, pela primeira vez, sentiu-se muito sozinha. O seu desgosto foi tanto que um pequeno, um minusculo laguinho se formou aos seus pés com a àgua de tanta lágrima. Chorou tão intensamente que nem sequer se lembrou de que as fadas não choram nunca. Então deu-se contr de que todo o corpo lhe doía da posição em que dormia, em cima da terra, unicamente coberta pela camada de folhas. E sentia a humidade do amanhecer entranhar-se-lhe no corpo. Foi quando reparou que um rapazinho estava parado à sua frente e a olhava com atenção.
-Olá - disse o rapaz. - Dormiste aqui, toda a noite? Não tiveste frio?
Incrédula, a fadazinha sentou-se na terra.

Olhou o rapaz, depois olhou atentamente à sua volta. Sentiu o vento na cara. Esfregou as mãos uma na outra e sentiu que estavam frias. Pela primeira vez reparou que tinha pés e estavam calçados de peúgas e sapatos. Então, a medo, apalpou o próprio corpo. No lugar da túnica de renda feita de teia de aranha, tinha agora um vestido de algodão azul. A seguir apalpou a cabeça. Estava coberta por uma espessa cabeleira apanhada numa trança. Involuntáriamente encolheu um dos joelhos porque lhe doía. Tinha um enorme arranhão. E perante o espanto do rapaz, a fadazinha sorriu-se. Ficou ainda durante muito tempo a sorrir-se. Por fim levantou-se, deu a mão ao rapaz e partiram juntos para a aldeia.

Um novo Blog

Começa hoje este Blog.

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